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“Eu tenho um sonho”. Conheça o impacto da frase de Martin Luther King

“Eu tenho um sonho”. 

Conheça o impacto da frase de Martin Luther King

Eu Sem Fronteiras

18 de janeiro de 2021

 
 
 
 
 
No ano de 1963, ocorreu a Marcha sobre Washington por Trabalho e Liberdade, em que Martin Luther King – um pastor afro-americano de 34 anos de idade – discursou para um público de aproximadamente 250 mil pessoas. Tal discurso provocou uma reviravolta na época com o seu impacto e a frase “Eu tenho um sonho” entrou para a história da oratória. Um ano após essa marcha, a Lei dos Direitos Civis foi aprovada nos EUA, sendo, assim, o primeiro passo dado pelo governo norte-americano na luta contra o racismo. Quer saber mais sobre esse marco na busca por direitos iguais? Atente-se!
 
Marcha sobre Washington por Trabalho e Liberdade
 
Esta marcha foi uma grande manifestação de cunho político que ocorreu no dia 28 de agosto de 1963 em Washington, capital dos EUA. O líder e organizador desse ato foi o pastor, advogado, pacifista e ativista dos direitos humanos Martin Luther King, que conseguiu reunir mais de 200 mil pessoas no protesto para discursar, pedir, orar e clamar pela liberdade, justiça social, emprego e especialmente pelo fim da desigualdade e segregação racial contra o povo negro do país.
 
A maioria dos manifestantes eram negros e muitos deles caminharam por estradas até o local da marcha – fato que gerou uma certa preocupação ao governo do presidente na época, John Kennedy. John simpatizava com a causa, mas temia que toda a aglomeração causasse conflitos prejudiciais às aprovações dos direitos civis e, assim, manchasse internacionalmente a imagem dos EUA. Mas esse temor não se concretizou, pois a marcha foi totalmente organizada e repercutiu mundialmente como a maior força política em prol das leis do direito de voto e dos direitos civis, nos anos 1964 e 1965.
 
Cerca de 75% das pessoas da manifestação eram negras. E esse movimento teve a participação de advogados, fazendeiros, operários e até grandes nomes do cinema.
 
 
Direitos autorais : actionsports
 
 
Martin Luther King, o líder
 
Martin foi desde a juventude um grande ativista contra a discriminação racial e um dos maiores líderes de todos os movimentos em prol dos direitos dos negros. Ao liderar a Marcha de Washington, alcançou um de seus ápices ao fazer o seu discurso impactante nomeado “I have a dream” (eu tenho um sonho, em português). Nesse discurso, Martin detalha uma sociedade e um cenário em que os negros e brancos possam viver juntos em harmonia.
 
Antes de discursar, o pastor e ativista foi recebido com uma grande salva de palmas de todos os que aguardavam as suas palavras. Martin iniciou o seu discurso fundamentando a realização e o ideal da marcha, além de explicar o motivo da localização do palanque – em um Monumento como forma de homenagem a Abraham Lincoln, o presidente que assinou a lei da Abolição da Escravidão e que, por esse motivo, enfrentou uma Guerra Civil.
 
No decorrer das palavras, Martin ressaltou que os negros ainda não eram cidadãos livres e falou pela luta da liberdade, dos direitos da vida e enfatizou a busca pela felicidade. Em resposta às alas mais radicais de Malcolm X, disse que o povo negro não precisava saciar a sede por liberdade em taça de revolta e ódio, mesmo firmando a ideia de que ninguém deveria ficar satisfeito com as verdades tortas que as elites da época contavam.
 
 
Direitos autorais : belchonock
 
Extremamente emocionado, o ativista abandonou o discurso escrito e deu início a um improviso, que começou com um trecho que marcou a história: “…eu tenho um sonho, que um dia, nas colinas vermelhas da Geórgia, os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos descendentes dos donos de escravos se sentarão juntos à mesa da fraternidade…”. Esse momento foi regado a silêncio e lágrimas e emocionou toda a multidão presente.
 
Martin Luther King finalizou o discurso pedindo que todas as pessoas dessem as mãos e entoassem um antigo hino religioso conhecido pelos tempos de escravidão: “Livres, finalmente livres! Graças a Deus estamos livres!”.
 
Durante a tarde, John Kennedy recebeu em seu gabinete alguns líderes da Marcha e declarou o seu apoio à reivindicação. Mas, infelizmente, não foi ele que introduziu a proposta para ser aprovada pelo Congresso Americano, pois em menos de 3 meses após esse dia, foi assassinado ao visitar Dallas, no Texas.
 
Direitos autorais : Andrey Vinnikov
 
 
O impacto de “Eu tenho um sonho”
 
Na época, a cultura da segregação racial era muito forte nos EUA e boa parte da população foi tocada com o discurso de Martin. Ao proferir palavras profundas e enfatizar o desejo simples e genuíno pela liberdade e pela igualdade racial, o pastor e advogado fez com que toda a sua luta pelo povo negro ganhasse força, não só nos Estados Unidos, mas no mundo inteiro. Como consequência da marcha e do discurso, o apelo contra a segregação racial e os direitos em prol da causa foram firmados nas leis do país.
 
A Lei de Direitos Civis foi aprovada nos EUA no ano de 1964, fazendo com que os negros pudessem ocupar todos os espaços do país da mesma forma que os brancos. Em 1965, a população negra conquistou os mesmos direitos de voto. Em 1964, Martin recebeu o Prêmio Nobel da Paz e, em 1968, foi assassinado, mas isso não calou a voz da sua luta, pois a sua garra em finalizar a marginalização dos negros fez com que diversos regimes de segregação racial fossem extintos no mundo inteiro.
 
Direitos autorais : belchonock
 
 
Veja um trecho do discurso:
 
“Eu tenho um sonho que um dia esta nação irá se levantar e viver o verdadeiro significado da sua crença. Nós comemoraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais. Eu tenho um sonho que um dia, nas montanhas vermelhas da Geórgia, os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos descendentes de donos de escravos se sentarão juntos à mesa da fraternidade. Eu tenho um sonho que um dia, mesmo o estado do Mississippi, um estado inóspito sufocado pelo calor da injustiça e sufocado pelo calor da opressão, se tornará um oásis de justiça e liberdade. Eu tenho um sonho, que meus quatro pequenos filhos um dia viverão em uma nação onde não serão julgados pela cor da pele, mas pelo conteúdo do seu caráter. Eu tenho um sonho hoje. Eu tenho um sonho que um dia, o estado do Alabama, com seus racistas cruéis, cujo governador cospe palavras de “interposição” e “anulação”, um dia bem lá no Alabama meninos negros e meninas negras possam dar as mãos com meninos brancos e meninas brancas, como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje.”
 
Eu Sem Fronteiras
 




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